Resenha do livro: Los detectives salvajes por Roberto Bolaño

Olá pessoal,
 
Hoje tenho um grande desafio!!! Fazer uma resenha de mais um livro que li no clube de leitura. Esse livro é do escritor Roberto Bolaño, e o título do livro em espanhol é ¨Detectives Salvajes¨, em português o título do livro é ¨Os detetives selvagens¨.
 
 
 
Digo que é um grande desafio porque primeiro eu não gostei do livro. É o livro com mais palavrão que já li em toda minha vida…. 
 
Eu lia e lia o livro e não entendia absolutamente nada…. Nada fazia sentido, eu tentava descobrir o enigma, qual foi o crime, quem é o criminoso, quem são os detetives, os detetives fugiram, a quem buscam, eram tantas minhas perguntas que ler o livro foi uma missão quase impossível…..
 
Quando desisti de ler o livro…. Descobri que na verdade eu sou uma ignorante em literatura….. Percebi que o livro não é tradicional com começo, meio e fim. E sim que o livro é fragmentado e todas suas estórias resultam ser um imenso quebra cabeça.
 
Descobri que em realidade o leitor é o detetive…. O leitor tem um trabalho bastante árduo ao ler esse livro porque deve praticamente armar toda a estória para compreendê-la. O sentimento que eu tive ao ler o livro era que todos eram culpados até provarem o contrário. Eu desconfiava de todos os personagens.
 
As vezes quando eu leio parece que tenho vontade de agregar palavras ao texto. Porque o autor escreve de uma maneira que permite o uso da imaginação por parte do leitor. Quase no final do livro o texto parece infantil, porque existe vários desenhos como se estivesse narrando uma história, como fazem as crianças.
 
A bem da verdade não é só as crianças que fazem isso. No livro ¨O pequeno príncipe¨, grande parte da discussão se trata de desenhos, seus significados, e a interpretação realizada pelos personagens.¨
 
 
 
Outras vezes quando estava lendo senti nojo ao ler o livro, asco…. Outras vezes não foi possível nem imaginar o filme…..Esses são alguns dos sentimentos que pode passar enquanto vc ler o livro.
 
O livro é dividido em 3 partes: a primeira se chama Mexicanos perdidos em Mexico no ano de 1975, a segunda parte se chama Los detectives salvajes que compreende os anos de 1976 até 1996, e a última parte que se chama Los desiertos de Sonora ano de 1976.
 
Os personagens principais são Ulises Lima, Arturo Belano e Juan García Madero. Um desses personagens é chileno como o autor. E cada personagem na minha opinião recebeu um pouco da personalidade e alma do próprio autor. Eu creio também que muitas estórias narradas por vários personagens foram realmente vividas pelo próprio autor, mas o alter ego do autor seria o personagem chileno Arturo Belano.
 
A segunda parte do livro é uma verdadeira colcha de retalhos com mais de 38 personagens e um narrador, com estórias totalmente diferentes, que passaram em toda parte do mundo, cada estória em um tempo diferente, ou seja, não existe ordem cronológica de acontecimentos e relatos. Os países citados no livro são Chile, México, Espanha, Franca, Inglaterra, Israel, EEUU, Itália e vários outros. Em cada lugar o autor descreve um pouco dos problemas internos de cada país, suas guerras, terrorismo, doenças e dificuldades. É um livro bem cosmopolita que revela uma cultura bem abrangente por parte do autor. O narrador às vezes confunde o leitor, porque nós não sabemos quem é a pessoa que está narrando, não sabemos se essa pessoa realmente presenciou os fatos, ou se está contando a estória. É um narrador bastante ambíguo em minha opinião, que no final das contas me deixou nervosa….
 
A terceira parte do livro se trata de um diálogo entre os personagens principais. As três partes são bem diferentes. Na verdade por se tratar de um enigma policial (detetives selvagens), o leitor é instigado a buscar pistas que o levem a encontrar uma resposta. Mas nem sempre as pistas são esclarecedoras, as vezes a trama se torna indecifrável.
 
 
 
Eu sempre tive a seguinte opinião: Que a realidade supera a ficção! Mas depois de ler esse livro, eu fiquei em dúvida…. porque alguns relatos realmente parecem que superam a realidade.
 
Na minha opinião o autor conseguiu fazer com que a bandera dos ¨real visceralistas¨ ( fenômeno literário apoiado pelos poetas do livro) se tornasse realidade em seu livro. Como o livro foi escrito no ano de 1999 não creio que poderia dizer que o livro pertence ao movimento vanguardista ou surrealismo, mas o livro tem uma estrutura fora do comum.
 
Pesquisando na internet descobri que o autor desse livro é um dos fundadores do movimento Infrarrealismo junto com outros poetas mexicanos. Esse termo infrarrealismo foi usado primeiramente pelo chileno Roberto Matta, e depois usado por Bolaño e seus companheiros para criar esse movimento.
 
É evidente então que o autor relata nesse livro parte de sua biografia e do seu movimento literário: infrarrealismo. Ressalte-se que o autor, Bolaño, incluso escreveu o manifesto infrarrealista na revista do movimento chamada ¨Correspodencia Infra¨.
 
Algumas pessoas podem ficar magoadas comigo, mas tenho que dizer que eu não concordo com o roubo de livros pelos personagens do livro. Perdoem-me, não quero julgar ninguém,  mas quero deixar bem claro que eu jamais roubaria um livro…. E se por acaso existe alguém que deseja ler um livro, eu aviso para todos os poetas de plantão que no mundo existem bibliotecas que emprestam livros….
 
Resumo da ópera: é um livro bem louco, que vai mexer com as suas estruturas, um livro rebelde.
 
Viva a leitura!!!
Beijos
Emiliana

 

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